Notícia

Geral

Procura por atendimento psicológico ainda é baixa por violência

Postada 13/11/2017



De acordo com a psicóloga Samira Ahmad Mussa, a procura por atendimento psicológico, por parte de mulheres que sofrem algum tipo de violência, ainda é bastante restrita – se comparada à quantidade de boletins de ocorrência realizados na Delegacia de Polícia Civil. Um levantamento feito pelo Instituto Datafolha revela que mais de 12 mil mulheres são agredidas por dia no Brasil, mas, nem metade procura ajuda para sair desta situação. “Em Ijuí a realidade não é diferente. Temos conhecimento de que, em muitos casos, as mulheres em situação de violência mantêm seu sofrimento em segredo, enquanto que outras reúnem todas as forças para ir até a delegacia na tentativa de cessar a violência. Elas fazem mais registros do que buscam atendimentos, porque o desejo é para que a violência cesse”, aponta a psicóloga, que atua junto à Coordenadoria da Mulher.
Aos poucos, segundo Samira, percebe-se uma mudança de comportamento. Um movimento em que as mulheres, vítimas de violência física ou psicológica, conseguem buscar ajuda de um profissional, muitas vezes levadas por amigas ou familiares. Na cidade, o encaminhamento para apoio psicológico pode ser feito pela Rede de Proteção à Mulher, busca espontânea, projeto Sala de Espera (desenvolvido antes das audiências referentes à Lei Maria da Penha), Conselho Tutelar, Ministério Público, Cras, Creas, Caps ou qualquer setor da saúde.
Em contato com a reportagem do Grupo JM, Samira chamou a atenção para a violência psicológica, que se caracteriza como agressão subjetiva. “Para ser caracterizado como violência, não é necessário ter agressão física, como muitos pensam. Basta que a mulher esteja sofrendo na relação conjugal”, explica a psicóloga. Ela lembra que os danos causados à mulher são muitos. Palavras e atitudes podem ferir a autoestima de uma mulher, tornando difícil uma identificação. Dados indicam que uma em cada três mulheres são agredidas psicologicamente por dia. “Por ser uma violência subjetiva e não física, muitas vezes ela passa despercebida pela própria mulher, pois vem mascarada pelo ciúmes, controle, humilhação, ironias e ofensas”, lembra a profissional.
A violência psicológica é caracterizada por toda e qualquer conduta do outro que cause dano emocional, que haja no controle das emoções e comportamentos, que interfira nas crenças e decisões. A violência acontece sob forma de ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição, chantagem, insulto, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir, causando prejuízo à sanidade psicológica e à autodeterminação. 
“Nas relações conjugais violentas, o agressor usa formas de conter a mulher, para que ela se sinta acuada e insegura, sem chances de reagir. Quando a violência psicológica se instaura, ela precede a violência física, passando a ser constante na relação a dois.” O receio de perceber e admitir que o casamento ou o namoro chegou ao fim leva as mulheres a se submeter à violência. “A grande questão que percebemos é que dificilmente a vítima procura ajuda nos casos de violência psicológica. Ela tende a aceitar e justificar as atitudes do agressor, protelando a exposição de suas angústias, até que uma situação de violência física, muitas vezes grave, ocorra.”
De acordo com a psicóloga, a mulher que convive ou já conviveu com a violência por parte do parceiro geralmente tem um comprometimento psicológico, com mudança na realidade – uma vez que, segundo ela, a vítima não é mais senhora de seus pensamentos. Está literalmente invadida pelo psiquismo do parceiro. Por essa razão, ela necessita de ajuda externa, que auxilie a criar mecanismos para mudar a realidade e superar as sequelas deixadas pelo processo de submissão às situações de violência. “O objetivo do atendimento psicológico em situação de violência doméstica é fazer com que elas resgatem a condição de sujeito, bem como a autoestima que ficaram encobertas e anuladas durante todo o período em que conviveram em uma relação marcada pela violência”, lembra Samira.


Edição Impressa


Ver Todas as Edições
Trabalhe no Grupo JM Espaço do Leitor - Assine - Anuncie -
Albino Brendler, 122, Centro, Ijuí-RS
(55) 3331-0300
clicjm@jornaldamanhaijui.com Desenvolvido por